O Tocantins tem avançado em uma das tendências mais transformadoras do turismo contemporâneo, o Turismo de Base Comunitária (TBC). Esse segmento, centrado no protagonismo das comunidades locais, na valorização cultural e na conservação ambiental, ganha força no estado por meio de projetos que unem sustentabilidade e inclusão social.
Entre essas iniciativas, destaca-se o Projeto Tocantins Produtivo, desenvolvido pelo Governo do Tocantins, por meio da Secretaria do Turismo (Setur), em parceria com o Banco Mundial. O programa tem foco especial na região do Jalapão, um dos destinos mais emblemáticos do ecoturismo brasileiro, e pretende fortalecer a infraestrutura e a capacidade produtiva de seis comunidades quilombolas: Barra da Aroeira (Santa Tereza), Boa Esperança, Mumbuca, Rio Novo e Carrapato (Mateiros) e Prata (São Félix).
Segundo Rodrigo Bonfim de Andrade, gerente do projeto dentro do Banco Mundial, o objetivo é reduzir a vulnerabilidade econômica e promover a inclusão social das populações tradicionais por meio do fortalecimento das vocações regionais. “O Jalapão é um lugar muito bonito e visado, mas que ainda tem pouca inclusão das populações que lá vivem. O projeto vai promover capacitações, apoiar pequenos negócios e ampliar a participação das comunidades quilombolas nas atividades turísticas”, explica.
A analista ambiental Dircivânia Ribeiro Martins, que integra a equipe da Setur, destaca que o projeto prevê melhorias de infraestrutura, como a reforma de pousadas comunitárias, construção de centros de referência cultural e implantação de uma rede de trilhas conectando os quilombos à Cachoeira da Velha, um dos cartões-postais do Jalapão. “Essas ações vão permitir que o turista conheça mais a fundo a cultura local e que a renda do turismo realmente fique na comunidade”, afirma.
O economista José de Ribamar Félix, também da Setur, ressalta o caráter inclusivo da iniciativa. “É a terceira edição de um projeto de turismo de base comunitária no Jalapão, mas desta vez com um olhar mais abrangente. A comunidade de Boa Esperança, por exemplo, antes isolada pela falta de infraestrutura, agora passa a integrar o circuito. Ela tem uma produção riquíssima de capim-dourado e instrumentos de buriti, e poderá se beneficiar diretamente do fluxo turístico”, diz.
Desenvolvimento
O modelo de Turismo de Base Comunitária tem se consolidado em todo o Brasil como alternativa sustentável ao turismo de massa, gerando renda direta e promovendo a valorização dos modos de vida tradicionais. No Tocantins, ele ganha contornos ainda mais simbólicos, por unir preservação ambiental, identidade cultural e desenvolvimento econômico local.
No Jalapão, as comunidades quilombolas há décadas recebem visitantes interessados na cultura do capim-dourado, nas histórias e na hospitalidade locais. No entanto, grande parte da renda ainda se concentrava fora dos territórios tradicionais. Com o Tocantins Produtivo, a expectativa é mudar essa realidade.
A proposta é que as comunidades passem a gerir o turismo de forma autônoma, com apoio técnico e infraestrutura adequada, consolidando o Jalapão como modelo de turismo responsável e inclusivo.
Além da geração de renda, o projeto valoriza a memória e o saber tradicional, fortalecendo a autoestima e o sentimento de pertencimento das comunidades. Ao mesmo tempo, estimula a formação de jovens e mulheres em atividades ligadas ao turismo, ampliando as oportunidades de trabalho e liderança local.
O secretário de Turismo do Estado, Romildo Santos ressalta que o governador Laurez Moreira tem grande interesse em estimular projetos turístico-culturais que valorizem as comunidades tradicionais, originárias e ribeirinhas. “O Turismo de Base Comunitária reafirma o compromisso do Governo do Tocantins com um desenvolvimento que respeita, inclui e transforma. O Tocantins Produtivo mostra que é possível crescer preservando nossas raízes. Vamos caminhar ao lado das comunidades, com planejamento e respeito, para fazer do turismo um instrumento de dignidade e futuro”, conclui o gestor.
Edição: Seleucia Fontes/Ascom Setur













